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ENTREVISTA - PISA/LOS ANDARILHOS DE MARISALES
Confira entrevista com a equipe de enduro a pé da categoria Graduados e criadores do programa TrekPalm.

A equipe Pisa/Los Andarilhos de Marisales é uma das veteranas da Copa North de enduro a pé. Patrocinada atualmente pela agência de viagens campineira Pisa Trekking, já participavam de provas de enduro a pé em 1996, em um circuito regional. Formada por amigos de Campinas e São Paulo, a equipe que participa em 2005 foi formada pela junção de 2 equipes: Los Andarilhos de Marisales e Pisa Trekking - Rumo (in)certo. A equipe foi quem criou e desenvolve o software TrekPalm, programa para uso em 'palms' para rally´s de regularidade. Confira entrevista completa:

NORTHBRASIL - Quais os integrantes da equipe? Nome, idade, ocupação, onde moram (cidade), função dentro da equipe?

[Sakanaka] – Paulo Sakanaka, 37 anos, engenheiro de computação, Campinas, Passo

[Daniel] - Daniel Jerozolimski, 31 anos, analista de sistemas, Campinas, Tempo

[Gustavo] - Gustavo F. C. de Sá, 33 anos, Engenheiro de Computação, Campinas, Navegação

[Givanildo] – Givanildo F Aquino, 28 anos, Administrador, São Paulo, Tempo

[Pathy] – Patricia Boscolo, 28 anos, Química, São Paulo, Navegação (única garota da equipe, com muito orgulho!!!)

[Pedro] -Pedro Henrique Schildknecht, 30 anos, biólogo, São Paulo, Passo

NORTHBRASIL - Como surgiu a equipe e o nome que escolheram? Possuem site da equipe ou pessoal?

[Daniel] - A equipe Los Andarilhos de Marisales surgiu em 1996, quando participamos das primeiras provas de enduro a pé, organizadas pela Delta na região de Campinas. A origem do nome é uma brincadeira em cima dos quadrinhos dos 'Los Tres Amigos' (Glauco, Angeli e Laerte), que moravam em Marisales. Quando a Delta parou de organizar provas, por volta de 1998, a equipe se desmobilizou, retornando à ativa no final de 2002 para participar dos campeonatos North e Paulista. Em 2005 juntamos com parte do pessoal da Rumo (in)certo e aqui estamos nós hoje. Não temos um site da equipe ainda, mas algumas informações sobre a gente estão no site do TrekPalm: http://www.geocities.com/trekpalm

NORTHBRASIL - Há quanto tempo vocês praticam o enduro a pé? Praticam algum outro tipo de atividade esportiva?

[Sakanaka] – Eu participei das provas do Circuito Regional, organizadas pela Delta, em 96. Na Copa North, desde 2002. Eu pratico corridas de rua, trekking e patinação in-line.

[Daniel] - Participo de provas de enduro a pé na equipe 'Los Andarilhos de Marisales' desde 1996. Além do enduro, pratico também mountain bike, natação e trekking.

[Gustavo] - Comecei a participar de provas de enduro a pé em 2002 no Campeonato do Interior Paulista com a equipe Somalianos, nome devido ao porte 'atlético' dos componentes. Em 2003 minha equipe se desfez e me juntei à equipe Grade VI - Companhia de Aventuras, na qual participava o Paulo Sakanaka, nas competições da North. Em 2004 a equipe se desfez e eu, o Sakanaka e mais dois amigos participamos como a equipe Pisa Trekking - Rumo (In)Certo. Em 2005 a equipe se desfez e eu o Sakanaka nos juntamos aos Los Andarilhos de Marisales. Caramba, todo ano eu mudo de equipe, mas não é porque eu sou chato é porque os componentes se mudaram para outros países, ou então eu sou tão chato que eles não conseguem nem mesmo morar no mesmo país que eu :-). Algumas atividades que eu pratico são Taekwon-Do, Corrida, Tecido Acrobático, Ginástica Acrobática e Musculação.

[Givanildo] – Eu sou o mais novo da equipe na prática de enduro a pé. No ano de 2004, comecei a participar com o Los andarilhos a convite do Pedro. Além, do enduro a pé gosto de correr e jogar futebol.

[Pathy] – Participo de provas de enduro a pé na equipe 'Los Andarilhos de Marisales' desde 1996. Além do enduro, pratico também mountain bike, natação e tiro de Armbrust.

[Pedro] -Eu iniciei o enduro a pé em 2002. Além de enfiar o pé no barro de bota, também pratico mountain-bike, corrida e tiro com Besta (Armbrust) com regularidade. Junto com a Patricia, iniciei recentemente a prática de cicloturismo.

NORTHBRASIL - O que vocês tem a dizer sobre a performance da equipe desde que iniciaram no enduro a pé? Como foi a passagem da categoria Trekkers para Graduados?

[Sakanaka] – Não podemos reclamar da nossa perfomance. No entanto, temos muito a melhorar ainda. A categoria Graduados é bem mais complexa que a Trekkers, mas nos adaptamos bem.

[Gustavo] - Desde o nosso início temos sempre evoluído. Na categoria Graduados vimos que temos muito que melhorar ainda, mas esperamos que até o final do ano estejamos bons o suficiente para dar algum trabalho para as outras equipes.

[Givanildo] – Pra mim que estou a pouco tempo no esperte, tenho percebido uma grande evolução em nosso desempenho. Entretanto, nosso grande desafio para 2005 é conseguir uma vitória na categoria.

[Pedro] - Nossa performance tem melhorado continuamente, devido tanto à melhor integração dos membros da equipe quanto também ao amadurecimento de todos. Em suma, acredito que estamos aprendendo com nossos próprios erros, que não eram (e ainda não são) poucos.

NORTHBRASIL - Vocês se espelham em alguma equipe ou tem admiração por alguma equipe do campeonato? Como é a interação com as outras equipes? Essa relação é diferente quando se é um Graduado ou Trekker?

[Sakanaka] – Admiramos a regularidade da equipe Nikus. É impressionante. No geral, convivemos bem com as outras equipes, mas é claro que rola um pouco de rivalidade, principalmente com as equipes que brigam posições com a nossa.

[Daniel] - Sem dúvida a Nikus é uma equipe que tem a nossa admiração. A presença dela nas provas torna o desafio muito mais difícil e motivante. Quando começamos a competir como graduados, fiquei surpreso com o nível de amizade entre os integrantes das diversas equipes desta categoria, especialmente entre as mais tradicionais, e acho que estamos nos integramos bem com todas elas.

[Gustavo] - A Nikus é uma equipe de alto nível e é sempre um desafio tentar superá-la, criando um incentivo a mais de melhorarmos cada vez mais. Outras equipes evoluíram bastante este ano, mostrando que este ano o campeonato vai ser difícil. Existe um certo espírito competitivo (rivalidade é muito forte) entre as equipes. Lógico que tentamos ir melhor que as outras equipes, mas há bastante troca de informações entre as equipes, principalmente nos Graduados em que as pessoas têm mais experiência, e no meu caso estou aprendendo bastante coisas novas. Acho que o enduro antes de ser uma competição deve ser uma diversão.

[Givanildo] – A Nikus hoje é referência e sem dúvida nos espelhamos nela.

[Pedro] -A Nikus é nosso parâmetro.

NORTHBRASIL - Quais as dicas que vocês podem passar para os iniciantes ou para quem não conhece enduro a pé?

[Sakanaka] – Não acredito que exista um 'segredo' para praticar o enduro. Cada equipe tem que achar sem próprio caminho, criar seus próprios métodos para melhorar. A prova seguinte sempre deve ser melhor que a anterior. Ah! Coloquem sempre um engenheiro na equipe!

[Daniel] - A equipe tem que ter um objetivo comum, seja a diversão ou a busca por um resultado melhor. De nada adianta um integrante da equipe querer correr para compensar o atraso, enquanto outro quer apenas continuar a prova para completá-la, sem se preocupar com o atraso. Descobrir isso durante o enduro será com certeza motivo de muita discussão no meio do mato. Outra dica importante é definir muito bem as responsabilidades de cada um e durante o enduro acatar as decisões que forem tomadas pelos responsáveis por cada função na equipe. Quando não concordar com a decisão de alguém, o máximo que pode ser feito é passar a sua opinião, mas a decisão final tem que ser de uma única pessoa, e que isso fique claro antes da prova começar.

[Gustavo] - Acho que a chave para uma boa equipe é o entrosamento entre os membros. Os aspectos técnicos como navegação, passo e tempo é muito mais questão de treino.

[Givanildo] – A dica é saber ouvir uns aos outros e sempre na medida do possível manter a calma.

[Pedro] -Além da diversão, é importante estar concentrado em sua tarefa e confiar nos demais membros do grupo.

NORTHBRASIL - Quando não estão competindo, o que vocês fazem nos finais de semana e feriados? Como definem hoje o enduro a pé na vida de vocês?

[Sakanaka] – Faço caminhadas e, sempre que dá, faço viagens ecoturísticas. Gosto de acampar e conhecer lugares novos. O enduro a pé é um meio de nos desligarmos do estresse urbano e sentirmos a natureza.

[Daniel] - Nos finais de semana pratico mountain bike em Joaquim Egídio e aproveito para trabalhar nas evoluções do TrekPalm. O enduro a pé para mim é um exercício de aprendizagem do convívio em equipe, uma diversão no final de semana, uma aproximação com a natureza, e um contato com amigos em um dia que infelizmente a maior parte das pessoas preferem ficar sozinhas em frente da televisão.

[Givanildo] – Gosto de correr e jogar meu futebol. O enduro a pé para mim hoje é um final de semana de puro prazer em ter contato com a natureza e com os amigos.

[Pathy] – Como o Pedro (meu marido), fazemos Mountain Bike e atiramos de Armbrust. Para mim, o enduro a pé representa a oportunidade de fazer muitas coisas legais juntas: fazer exercício, desenvolver concentração, comunicação, táticas e gerenciamento de risco, tudo isso com muita diversão entre amigos!

[Pedro] -Final de semana? Bom, sempre busco fazer aquilo que me diverte, como correr, andar de bike, atirar e comer uma pizza pois ninguém é de ferro. O enduro a pé representa para mim um desafio interior e também um mecanismo de relaxamento do estresse semanal.

NORTHBRASIL - Vamos falar de equipamentos para navegação de enduro a pé? Vocês desenvolveram o TrekPalm (programa para Palms), utilizado atualmente por diversas equipes, inclusive equipes de enduro de moto e carro. Que acham disso? Conhecem os outros equipamentos de navegação do mercado?

[Sakanaka] – Comecei usando calculadora simples. Depois passei a fazer contas no computador. Depois fazendo contas no Palm. Já pensamos em comprar até um Totem. Hoje, o TrekPalm acaba sendo a melhor solução, pois tem um equilíbrio entre praticidade, custo e benefício.

[Daniel] - O TrekPalm nasceu de um Palm velho perdido em uma gaveta e a nossa vontade de melhorar o desempenho sem ter que gastar em um outro equipamento. Acabamos desenvolvendo o programa para o nosso próprio uso e depois decidimos ajudar também aquelas equipes que teriam um equipamento como esse, mas que não possuíam conhecimento de programação. O programa hoje é um sucesso graças à colaboração dos usuários, que sempre fazem sugestões de evoluções.

[Pedro] -É muito gratificante realizar uma prova utilizando um sistema de controle desenvolvido por um integrante de nossa própria equipe. Acreditamos que o TrekPalm seja capaz de suprir boa parte das funções existentes em outros equipamentos de navegação 'GPS-free' existentes no mercado, sem porém ter o alto custo dos mesmos.

NORTHBRASIL - Algum fato curioso ou engraçado desde que começaram a viajar/praticar enduro a pé?

[Sakanaka] – Eu achei muito legal a prova noturna no Shopping Galleria, do ano passado. A gente chegando, todo enlameado, suado e acabado, cruzando com aquela galera entrando no Café Cancun, todos de banho tomado e arrumadinhos! Aquele pessoal olhava para nós com aquela cara de 'de que planeta esses caras vieram?'

[Gustavo] - Minha primeira participação em enduro a pé, não sabíamos nem para que lado era a largada, tivemos que esperar a próxima equipe largar para ver de que lado do portal era para ir. Até chegar no neutro com uma hora e meia de atraso, passando por apenas metade dos PCs. Depois até que conseguimos recuperar um pouco o tempo e chegamos com apenas meia hora de atraso.

[Pathy] – O Pedro é o biólogo da equipe e, conseqüentemente, alvo de perguntas do tipo 'que bicho é esse?'. Muito estranho, mas todos os bichos que encontramos pelo caminho tem nome científico de emíptero sugador!!!

[Pedro] - Eu concordo com o Saka! Nada como entrar enlameado no Shopping Galleria! Um outro episódio foi no último enduro do Halloween, onde havia uma série de monstros espalhados pela prova; em um dado momento, o último integrante da equipe fez uma solicitação inusitada - 'Pessoal, vocês podem andar mais depressa?' - 'Mas estamos no tempo!' - respondeu o homem do tempo. Nisto, o último integrante replicou - ' é que tem uma múmia me perseguindo!'

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